
Desde muito cedo, tinha claro que o meu quadro favorito era A Morte de Marat, mas tinha também claro, que o meu pintor favorito era Matisse… até que comecei a aperceber-me que o contraste cromático de Matisse era muito popular… em slides… das aulas de História de Arte!!!
Até ter visto um Turner pela primeira vez ao vivo, achava aborrecido, porque simplesmente a luz de Londres retratada por Wiliam Turner, não passa para uma fotografia, nunca com a fidelidade suficiente… com o tempo fui constatando que ao vivo é diferente, que Paul Signac consegue de facto criar ilusões com o pontilhismimo, e que Matisse, afinal não era o meu pintor favorito… não mais.
Não depois de se ver ao vivo, o período azul de Picasso. Além disso a minha busca de uma linguagem com a qual me identificasse aumentou, não só pela temática mas também pelo sentimento, e Henri Matisse não passava apenas, de bom cromático.
O interesse pela mancha começou a crescer em mim e consequentemente o interesse pela obra de Francis Bacon, aliás, para os mais atentos, a primeira foto do cabeçalho deste nosso antro era um quando do dito.
Fui ver a sua exposição em Madrid e fiquei fascinado ( ainda mais ), pela forma como os seus gigantes tripticos podem mudar uma sala, como uma cruxificaçao sua pode dar um ambiente de talho a uma sala, onde podiamos perfeitamente sentir o frio das grandes camaras frigorificas.
Como o seu amante apesar do turbilhão que o rodeia gráficamente, continua a ter um ar frágil e acima de tudo infeliz. Como a mancha é trabalhada de uma forma sublime provocando sensações de dor, desespero e agonia.
Podia escrever muito mais, mas não quero, quero ficar com muita coisa dentro de mim… um apontamento para a doce ironia da vida, a maior exposição de consagração de Francis Bacon, acaba por o colocar lado a lado, com uma das suas influências mais conhecidas e reconhecidas… o mestre Velásquez!
Uma exposição visceral o suficiente para não ser perdida…
P.s.: Hoje em dia nao tenho um só quadro favorito, mas se tivesse que escolher, seria talvez Saturno devorando os seus filhos… pois, também estava lá…