
Quis a sorte e a fortuna que há trinta anos atrás, nascesse a mulher da minha vida, aquela que decidiu entrar neste autocarro sempre em festa, sem rei nem roque, neste autocarro, onde não se garante nada mais que amor e olhar terno… onde todas as discussões são viscerais, e o cair de uma pena, é um estrondo ensurdecedor.
Onde os beijos de despedida são substituidos por lágrimas silenciosas na hora do adeus…
Aquele burburinho baixo, quem vai ao lado, não sabe se ri ou se chora… Aquele respirar profundo pautado pela distancia, pela impossibilidade de sentir o teu corpo quente todos os dias, aquele suspirar profundo que por momentos silencia a turbina do avião…
Essa distancia em que se tenta lutar a dois, umas vezes mais um que outro, outras vezes mais rendidos… às evidencias, e o mundo todo, que parece estar contra…
” Uma grande História de amor, tem que ser triste”…
Até quando tem que ser triste? Não é já uma História grande o suficiente? Doze meses de altos e baixos, não são suficientes para enjoar qualquer neto à luz da lareira?
- À luz da lareira?!
- Sim, quando lhes estivermos a contar como foi tudo no inicio… Quando nos pedirem, contem-nos como se conheceram…
Parabéns… as 22:30 tens que ir à porta de casa e espreitar cá para baixo!


