Narrow minded

jean-francois-millet-angelus-45112.jpgTenho uma teoria antiga que me é recorrente:

 O campónio que passa o dia preocupado com as sementes das batatas, o pousio etc., e, nem tem consciência do que é o buraco do ozono… ozonio… ou lá o que é que é… é claramente mais feliz que eu!

Pronto já disse, pode ser desmontada e discutida aqui neste espaço nosso/vosso.

A verdade é que sempre tive inveja de pessoas que se contentam com pouco, mas ainda assim, tenho a impressao que nao vivem a 100%. Para conhecermos  felicidade temos que experimentar a tristeza? Para amar-mos temos que odiar? Ou seremos mais felizes depois de uma infelicidade? Ou amaremos muito melhor depois de odiar, ou melhor….teremos mais consciencia de que amamos?

A verdade é que uma vida que nao seja altos e baixos é apelativa… mas demasiado constante… só assim se explica a loucura que é a corrida às montanhas russas gigantes, a vida de emoçoes é um risco, mas a ideia de VIVER é muito mais intensa.

Em resumo: o conhecimento traz alegria para além de nos alimentar o próprio ego?

9 Respostas para “Narrow minded”

  1. E A RESPOSTA É;
    EQUILÍBRIO………
    basta a definição……
    Equilíbrio é um conceito relacionado ao estado de um sistema ou mais sistemas no qual não ocorrem mudanças no total que possam ser observados claramente, ou seja, no qual cada alteração é compensada (ou equilibrada) por outra(s) complementar(es).
    em relacção ao teus gazes…..”ozono ou ozonio”…
    só nao digas azoto!!pf

  2. Ângela Espinha Diz:

    Que engraçado, ainda ontem estava a falar exactamente de isto com um amigo. E dizia-lhe que quanto mais vivo e mais experiência tenho, menos sei e mais dúvidas tenho. Será isto o conhecimento? Será isto a vida?
    Acho que a experiência e o conhecimento que ganhas com a vida, pode trazer-te mais infelicidade, porque te traz insatisfaçao. Mas há-que saber aproveitar essa mesma experiência e conhecimento, para dar a volta a isto, e aprender a viver.

  3. sandraricardo Diz:

    concordo…acho que insatisfaçao é a palavra chave.

  4. Li há tempos que se um leao pudesse falar, nao o compreenderiamos porque nao conhemos o seu mundo.

    E por outro lado imagino que seja angustiante viver todos os dias numa incerteza, em funçao de estados meteorologicos e depender deles para sobreviver (como o camponio supostamente feliz).

    Talvez a nossa insatisfaçao seja proporcional ao nosso conhecimento. Mas talvez tambem a intensidade com que cada um vive seja proporcional aquilo que consegue suportar. E o que antes parecia gigantesco hoje pode parecer mediano e amanha minusculo.
    Para mim, importante é aumentarmos cada dia a nossa bolha e conseguir aprecia-la e disfruta-la da melhor maneira.

    E o silencio nao significa insensibilidade.

    Aiiiii, porque é que é tudo tao dificil!!!

  5. Espera aí…insatisfação…havia um pinto ou um pato…um pinto! Calimero…és tu?

    “Ma é una injusticia!”

  6. O tema é interessante. Muitas vezes vejo o termo felicidade confundido com preenchimento. Uma não leva à outra nem o contrário. Eu vejo as coisas como se estivesse perto de uma pirâmide, daquelas com degraus. Á medida que se sobe a vista fica mais ampla. No entanto, cada vez é mais dificil controlar ou entender tudo o que nos rodeia. No limite, no topo da piramide, até a visão se transforma em 360 graus e aí tudo assume o perfil de “apenas mais uma coisa, mais um facto”. Não acredito que as pessoas no campo sejam mais felizes, porque caminhar nesse sentido não se prende com o domínio que temos sobre o mundo que nos rodeia. São mais preenchidas, apenas porque a sensação que têm do seu pequeno mundo é de absoluto entendimento. Quando às mentes mais abertas, quanto mais sobem na pirâmide e compreendem mais coisas, aumenta o numero de coisas que não compreendem de forma exponencial.. logo perdendo a sensação de preenchimento. “Só sei que nada sei” é o corolário de tudo isto.

  7. … e em relação a um dos comentários, a nossa infelicidade não é proporcional ao conhecimento. Nunca poderia ser. Do conhecimento nasce tudo o que é bom, da falta dele.. apenas a ignorância e consequentemente a intolerância.

    No entanto, o mesmo comment, tem logo a seguir a resposta para tudo isto:

    “Mas talvez também a intensidade com que cada um vive seja proporcional aquilo que consegue suportar”

    com a qual concordo. É tudo uma questão de se saber até onde vai a nossa bolha de conforto.

  8. Anónima #2 Diz:

    Falas da civilização, e de não dever ser,
    Ou de não dever ser assim.
    Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
    Com as coisas humanas postas desta maneira,
    Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
    Dizes que se fossem como tu queres, seriam melhor.
    Escuto sem te ouvir.
    Para que te queria eu ouvir?
    Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
    Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
    Se as coisas fossem como tu queres, seriam diferentes: eis tudo.
    Ai de ti e de todos que levam a vida
    A querer inventar a máquina de fazer felicidade!

    (By Alberto Caeiro)

  9. Faltou responder á pergunta final do post:
    Na minha opinião, a resposta é: não.
    O conhecimento traz a dissolução do ego e a dissolução do ego traz a realidade sobre os fenómenos, novos pontos de vista, empatias reais.

    O poema de Alberto Caeiro, revela a realidade de… Alberto Caeiro. Como as minhas palavras revelam a minha. Poder-se-à até dizer que no lado oposto ao do poeta, estão os cientistas que provam com a ciência moderna, que a felicidade é de facto um estado fisiológico.

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